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Diversidade

Termos e algoritmos racistas na programação: vamos dar reset na linguagem?

Sara Paulo

22 out | Leitura: 2 min

Alguns termos usados em Programação podem ser considerados racistas, pejorativos e ofensivos.

Blacklist, master, slave… são vários os termos próprios da linguagem da Programação. Mas você consegue perceber o que eles têm em comum?

Os termos exemplificados fazem referência à escravidão. E não é só a M4U que acha isso: em julho de 2020, a Linux anunciou que retirou termos de conotação racista de sua programação. Estes termos, considerados ultrapassados, serão permitidos somente para manutenção e documentação de códigos antigos.  

Racismo na área Tech

As estatísticas não mentem: em 2020, juntando as maiores empresas de tecnologia estadunidentes, como Twitter, Google, Apple, Microsoft e Facebook, a porcentagem de profissionais negros eram de apenas 28,3%.

E essa porcentagem não é desvinculada da escolaridade e da formação na área tecnológica. Estudo do IBGE informa que em 2019 apenas 38,15% do total de matriculados no ensino superior no Brasil eram negros, e que, em  alguns cursos, a taxa não chega a 30%.

Isso, unido à falta de representatividade, influencia na falta de profissionais negros na área tech.

Racismo algorítmico

O pesquisador Tarcízio Silva criou o termo “racismo algorítmico” para definir como a inteligência artificial pode dar preferência a rostos e figuras brancas, tendo resultados racistas e discriminatórios. 

Desde filtros nas redes sociais que clareiam a pele até reconhecimentos faciais que identificaram erroneamente um criminoso por ele ser negro, os algoritmos racistas existem e são o resultado claro de um sistema que, em seus bastidores, não conta com a participação e poder de decição de pessoas negras.

Leia também: Dicas para melhorar a comunicação entre os times

Terminologias racistas e suas substituições

A boa notícia é que diversas empresas estão de olho e querem mudar essa realidade.

Voltando na questão das nomenclaturas, o criador do sistema operacional de código aberto Linux, Linus Torvalds, recomenda uma lista de substituições para os termos racistas da programação para master/slave:

  • Primary/secondary (primário/secundário) 
  • Main/replica or subordinate 
  • Initiator/target (iniciador/alvo)
  • Requester/responder (solicitante/respondedor)
  • Controller/device (controlador/dispositivo)
  • Host/worker or proxy (anfitrião/trabalhador ou representante)
  • Leader/follower (líder/seguidor)
  • Director/performer (diretor/executor)

E no lugar de Blacklist/whitelist:

  • Denylist/allowlist ou Blocklist/passlist

 A língua é tão rica, por que não usá-la sem ofender ninguém?

A M4U, em conjunto com a Gama Academy, lançou o Acelera M4U: programa de capacitação profissional para impulsionar a entrada de profissionais negros no mercado de tecnologia. Saiba mais!

Fontes consultadas:
Exame
Francés Médias Monde
Geledes
Tarcizio Silva
Uol

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